Vlado
Vinte e quatro de outubro de 1975. Depois de fechar o jornal noturno da TV Cultura, da qual era diretor de jornalismo, Vladimir Herzog foi ao prédio do Doi Codi, do II Exército de São Paulo, para prestar esclarecimentos sobre a sua atividade política. Ligado ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), Herzog foi detido e, no dia seguinte, apresentado morto à imprensa.
Seu corpo estava pendurado por um cinto preso junto a uma grande cuja altura era inferior a sua.
A versão da polícia era a de que Vlado, como era conhecido pelos amigos, depois de confessar o seu envolvimento com o PCB, teria cometido suicídio. Entretanto, os jornalistas, Duque Estrada, Jorge Benigno Jathay e Leandro Konder, que estavam presentes durante a prisão de Herzog, contestaram a versão oficial. Afirmaram que Vlado havia sido torturado e morto pelos militares,
Os amigos do jornalista foram impedidos de ver o seu corpo no IML. O laudo da perícia não seguia as exigências legais, fato que fora atestado pelo juiz Márcio José de Moraes. A comunidade israelense se recusou a enterrar Herzog como suicida. O rabino Henry Sobel, o pastor James Wright e o cardeal arcebispo de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns, celebraram um culto ecumênico para cerca de 8000 pessoas em memória do jornalista. A sociedade brasileira se escandalizava com esse crime cometido pelo poder público. Todos sabiam que Vlado havia sido assassinado nas dependências do Doi Codi.
Em 1978, a justiça responsabilizou a União pela morte do jornalista. Quase dez anos depois, em indenização à família de Vlado. No entando, seu pagamento só foi realizado no final no final do mandato de FHC.
De qualquer forma, Vladimir Herzog tornou-se o grande ícone da luta pela democracia no Brasil. Sua morte serviu como agente catalisador dos movimentos de contestação da ditadura, que resultaram na redemocratização do país. E, motivado pela sua memória , o Centro Acadêmico Vladimir Herzog encampa sua luta pela consolidação da democracia nas instituições brasileiras, o que pressupõe postura ética firme na defesa da justiça, liberdade e igualdade.